grupo comunista antípoda

Sobre

O texto a seguir é uma breve apresentação do Antípoda, escrita em novembro de 2025 ao Editorial Pensamiento y Batalla (Chile). O material completo, incluindo a nossa entrevista, pode ser encontrado aqui.

O Grupo Comunista Antípoda é produto do esforço de divulgação de posições teóricas da esquerda comunista durante os debates do processo de racha do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que formou o PCB-RR e mais tarde PCBR; divulgação que teve como ponto importante de articulação o Fio Vermelho - Grupo de Investigação do Comunismo Subterrâneo, fundado na mesma época para a tradução de textos dessa tradição. Algumas das posições defendidas e discutidas durante o racha eram a impossibilidade do “socialismo em um só país” e da “produção socialista de mercadorias”, a crítica da democracia, do nacionalismo e do voluntarismo, e a necessidade de retomada do programa marxista em contraposição às tendências stalinistas dominantes. Com o desenrolar do diálogo dentro do Fio Vermelho e a paralela ossificação do PCBR em um partido stalinista como qualquer outro, o Antípoda é formado em outubro de 2024 por um pequeno grupo de ex-militantes do PCBR no Paraná, rapidamente estabelecendo contato com pessoas de outros estados, compartilhando a característica de insatisfação com as possibilidades de organização no país e uma afinidade teórica.

Nosso grupo surge, então, com a urgência desses ex-militantes em formar-se de maneira mais efetiva e em criar um espaço concreto de debates e análises conjunturais. Assim, iniciamos os nossos estudos, inicialmente, de forma interna, para, em seguida, ampliar nossa rede de formação. Atualmente, estamos organizando um grupo de estudos, cujo objetivo é possibilitar o contato direto com a obra de Marx — em especial O Capital — e, paralelamente, estudar as conexões deste com textos da tradição da esquerda comunista.

Nesse processo de investigação, entramos em contato com a teoria da comunização e sua importante colocação da impossibilidade da afirmação da classe operária enquanto polo da disputa capital-trabalho nos dias de hoje, em que a crise secular do capital se faz cada vez mais aparente; assim como do caráter contra-revolucionário que tal afirmação de classe teve no passado. Assim, entendemos a revolução como a superação da autorreprodução da relação de classe capitalista, o movimento de autoabolição do proletariado a partir da superação dos limites de suas lutas cotidianas e, consequentemente, o fim de todas as formas sociais implicadas nessa reprodução de classe (valor, gênero, direito, propriedade, Estado, etc).

Um de nossos objetivos é a produção de análises da conjuntura brasileira e global a partir dessas perspectivas teóricas. Nosso objetivo futuro é a formação de uma organização capaz de engajar e interagir de forma útil com as grandes revoltas de nosso tempo, elaborar coletivamente sobre suas verdades e limites, e contribuir para o delineamento dos contornos do proletariado brasileiro e suas formas de luta cotidianas — considerando que o ato de simplesmente ouvir o que os trabalhadores têm a dizer sobre a própria condição é algo um tanto raro nas nossas organizações de esquerda.

Tendo isso em vista, nossa atividade até o momento tem se desenrolado na forma de produção de materiais agitativos e na recolha de denúncias de trabalhadores para a divulgação em locais de trabalho. Além disso, organizamos o já mencionado grupo de estudos e buscamos produzir traduções e análises relevantes para nossa conjuntura e para o desenvolvimento de uma ultraesquerda atuante em nosso país. Parafraseando a revista Théorie Communiste, buscamos — dentro de nossos limites — nem ser órfãos do movimento operário, nem profetas do comunismo por vir, mas participar da luta de classes como ela é no dia-a-dia e conforme ela produz teoria.